quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O carinho no cuidar

Me peguei recordando os momentos maravilhosos que vivi nos estágios de Enfermagem... Cada dia nos hospitais, na creche e UBS, os clientes e pacientes com o qual lidei, os profissionais com que trabalhei de alguma forma e não pude deixar de notar o sorriso que se abriu no meu rosto, tão naturalmente, tão sincero.
Não dá para explicar o sentimento bom, a alegria e a emoção que se sente ao ver um paciente debilitado segurar sua mão, depois de um procedimento incomodo e doloroso para ele, e ouvir um tão esforçado sussurro de "muito obrigada" e perceber o alívio que ele passou a sentir, mesmo que mínimo. Meus olhos se enchem de lágrimas só de lembrar das inúmeras vezes que tive minhas mãos seguradas com firmeza pelas deles, que me contagiei com o sorriso deles, ou que chorei escondido por eles. Quantas vezes voltei já sentindo saudade deles, pensando na lição que haviam me ensinado naquele dia e me questionando se não plantão seguinte colocariam tanta dedicação e amor aos cuidados com eles, se dariam a atenção que eles precisam tanto quanto eu dei a tarde toda.
Ainda hoje, me lembro de alguns em especiais, como por exemplo a Dona Ana, que me deixou uma saudade imensa, difícil de se explicar. Hoje eu só queria saber se ela esta bem, se continua aqui nesse mundo entre nós, se a família tem se importado mais com ela, se alguém ainda presta atenção naqueles olhos tão lindos e penetrantes, se alguém ainda segura aquela mão tão macia e conversa com ela, sorri para ela. Acho que de todos os muitos pacientes que tive em 6 meses de estágios, ela foi quem mais me marcou, quem mais deixou saudade. Não tinha um dia que eu não estivesse naquela clínica médica, que não passasse no quarto dela e ficasse um tempo ali na companhia dela, visse como ela estava, se precisava de alguma coisa. Espero, de verdade, que o melhor tenha ocorrido para ela, e que esteja muito bem, independente de onde.
Outros dias que marcaram foram os que houveram PCR, óbitos ou, até mesmo, ambos juntos. A emoção e o desespero que é sair correndo com uma maca por um elevador, corredor, até a emergência... Nesse momento percebe-se o quão valioso é o tempo, e o quanto cada segundo contado no relógio pode significar uma vida. Auxiliar um médico que está se esforçando ao máximo, suando frio, para salvar aquela vida. Estar ali sem saber onde ficam os remédios e materiais necessários, perder tempo procurando, enquanto quem sabia e devia estar ali ajudando, estava encostado na pia, alegando estar cansado, apenas aproveitando o fato de ter um estagiário ali para fazer o trabalho no seu lugar. Mas quem disse que só enfermeiros dão dessas? Nunca vou esquecer o médico que não se esforçou o suficiente para entubar uma paciente e nem dá médica que se recusou a entubar um senhor em PCR, na frente de todo mundo, enquanto ele foi a óbito. E a dor de ver as filhas deles chorando no meu ombro, quando na verdade elas deveriam estar felizes por o pai ter sobrevivo mais um dia. Não entendo porque algumas pessoas dedicam tantos anos estudando algo que não colocaram em prática, que não honraram o seu trabalho. O ser humano é mesmo muito estranho...
Também não posso me esquecer da alegria que é ver um paciente melhorar e receber alta, e te dar aquele abraço gostoso na hora de sair, agradecer por tudo. Não se pode desejar nada melhor do que o bem para eles, pois ninguém merece estar ali. E é por isso que eu me dedico, que eu estudo e dou o melhor de mim, para aqueles que acabam por chegar ali, possam voltar o mais rápido possível para os seus lares, saudáveis e fortes.
Outra coisa que marca é você esta ali com um paciente hoje, cuidar dele, ir embora achando que ele está bem e quando volta no dia seguinte recebe a notícia de que ele foi a óbito. Tamponar uma pessoa que esteve sobre seus cuidados até poucas horas atrás, da um aperto. Mesmo quando já se é esperado, quando ocorre a tal da "melhora da morte", nunca é facil perder alguém para Deus, alguém que você se dedicou tanto para estar bem e ter a oportunidade de viver mais e mais.
Ai que saudade de estar lá, diariamente, cuidando deles, rindo com eles, conversando, abraçando... Porque as vezes, o que eles realmente precisam, não é de remédios, banho ou outra coisa, é apenas que você esteja ali, que o escute, que converse com ele, segure a mão dele, faça-lhe um carinho... É o que eles mais gostam. E é tão bom ver o sorriso deles quando recebem isso. É tão gratificante, tão confortante.
Agradeço a Deus pelas lições que me ensinou nesses estágios, pelas vidas que eu ajudei a salvar e pelas que eu não fui capaz também, por cada dia, cada oportunidade que tive, cada pessoa que conheci. Só peço que permita que eu faça isso pro resto da minha vida!
Quero arranjar um emprego logo, para poder voltar á essa rotina tão cansativa e tão maravilhosa! *-*

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