quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

l’arte della lettura

Não é sempre que nos deparamos com um bom livro de ficção, já tive o prazer de viajar por mundos alucinantes escondidos nos mais diversos livros e, alguns, me forneceram momentos magníficos que me encarreguei de trazer, é claro, em forma de boas lembranças, na minha bagagem de volta a realidade.
Não será, jamais será, maluquice afirmar que as estórias contadas em livros são todas reais, se não fossem seriamos incapazes de reagir tanto, e de formas tão diversas, àquilo que nos é relatado. Acredite, a estória é real, aconteceu no seu mundo, você viu, você sentiu… Podem dizer que é apenas fruto da imaginação, mas se a própria imaginação é uma realidade do ser humano, por que os seus frutos haveriam de ser mentiras?
Livros são como pessoas, somos capazes de atribuir a eles qualidades e defeitos que, naturamente, também atribuimos as pessoas. Personagens se tornam companheiros, pessoas admiráveis, ou apenas meros intrusos, pessoas desgostosas. Torcemos para que aquele personagem específico tenha um futuro bacana, tanto quanto desejamos a felicidade a um amigo próximo. Julgamos, rimos, choramos, xingamos, reagimos ao desenrolar da estória como se fosse a história de uma pessoa querida do nosso meio social, ou até mesmo nossa própria história, na qual estamos sempre em busca daquilo que julgamos ser o melhor, o que nos faz verdadeiramente bem. E como é frustante quando o final da estória não é como gostariamos que fosse, não é? Mas aí é que está o bom do livro… 
Na vida, temos o péssimo hábito de querer que tudo ocorra sempre da forma que nos convém, e quando somos contrariados agimos de forma ridícula (sim, ridícula!), fechando a cara e fazendo bira, na esperança que de alguém se importe e acabe por fazer nossa vontade. Em livros, não existe ninguém que possa reescrever um final, quando este não nos convém (sim, a J. K. Rowling é uma exceção!), e é por isso que livros são tão magníficos. Pensem, que graça teria se tudo fosse como nós desejamos? Se as estórias dos livros fossem todas do nosso jeito, não teríamos motivos para ler pois, de certa forma, já saberíamos o final, claro, ele seria aquele que nós imaginamos, que nós esperamos. Que coisa mais maçante!
Livros são para sempre, não são como jornais, revistas, ou até mesmo novelas. Os livros estarão sempre ali, pode ser relidos depois de anos e ainda farão sentindo, ainda serão mágicos, ainda farão parte do presente. Os livros são o que são, não são escritos nos moldes do público, são escritos da forma que deve ser. Não há cortes de cenas, não há limites de caracteres, não há linguagem limitada por padrões, eu posso escrever da forma que me for conveniente. Se o personagem do livro fala errado, eu vou escrever errado, ponto final. Pode-se escrever sobre tudo, desde drama, até erotismo, não existe um gênero definido para os livros. As pessoas vão comprar livros por se interessarem pelo seu conteúdo, sua estória, e não porque a sociedade decidiu que é necessário saber aquilo que conta, como os jornais ou essas revistas semanais/mensais, que nos “obrigam” a ler para nos mantermos atualizados e, com isso, temos mais ‘oportunidades de sucesso na vida’. Livros não são obrigatórios, e não serão cobrados em provas de concurso, ou entrevistas de emprego.
Existem diversos motivos, diversas situações, que me fazem gostar mais e mais de livros. Os livros me levam a um sítio de imaginação diferente, oculto, que só eu tenho acesso. Eu gosto da ideia de poder interpretar os detalhes descritos pelo autor do meu jeito, poder criar aquele personagem na minha imaginação, frequentar os lugares que eu criei baseando-me nas suas 
descrições, e não de ter uma imagem fixa de tudo, como os filmes e seriados nos impõe. Gosto de carregar meus livros comigo, como sendo companhias permanentes, vitais para meu dia-a-dia. Gosto do físico dos livros, poder sentir a sua capa, viajar em sua produção, ler a hora que me der vontade, seja embaixo das cobertas ou na areia da praia. O livro físico eu posso chamar de meu, posso cuida-lo do meu jeito, posso presentear alguém, posso olhar para ele todos os dias, e jamais perder o contato com ele. Livros digitais nos impedem de viver isso, de ter esse contato físico, sem contar que podem ser editáveis, nunca se sabe se ele representa uma ‘cópia’ fiel do livro físico. Livros digitais não tem capa, não tem aquela sensação gostosa que é você olhar para capa, antes de ler, e imaginar mil coisa. Como é bom sentir o vento virar as páginas do livro, sentir o toque frágil das folhas, pequenos detalhes que para mim fazem a diferença, e que eu jamais poderei sentir através de um tela, seja ela qual for.

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros.” (Bill Gates)

Nenhum comentário:

Postar um comentário