O problema é que somos humanos. Não é isso o que sempre dizem? Errei, afinal sou humano. Menti, trai, não consegui; afinal, sou humano. Está certo, é isso ai. Ou quase. O “ser” humano, pelo que conclui, consiste em permitir-se falhar apenas por já ter falhado antes, é covardiar-se diante dos defeitos e deixar-los dominar a si. Humano é ser errado? Ser torto e incorrigível e ao final do dia orgulhar-se de tudo isso? Então que eu seja uma borboleta, que metamorfoseia-se até encantar o mundo com suas cores, até fazer a diferença. Não quero ser errante contentada. Que eu seja um peixinho colorido ou uma frágil formiga, mas que eu saiba exatamente que o que eu sou não define quem eu sou. Que eu saiba que posso ser cada vez melhor.
Não quero esperar, a vida inteira, a felicidade chegar até a mim quando posso alcança-la com um pouco de esforço, talvez apenas com uma ponta de pé - que hábito mais estupidamente humano. Não quero ficar sentada em casa, transbordando de orgulho, com um pote de sorvete em uma mão e o celular na outra, esperando ele tocar. Não quero olhar nos olhos de quem um dia amei e ver ali uma brasa viva de decepção. Ah, não! Nessa vida eu quero olhar para trás, algum dia, e ter certeza que fui o menos humana que pude ser.
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