sábado, 26 de maio de 2012

Costume


Há um tempo atrás ouvi dizer que nada na vida é para sempre, que tudo passa, tudo muda. Mas hoje percebo que as pessoas podem mudar, perderem contato, seguirem suas vidas, mas existe algo que nunca será superado, e é o sentimento.
Anos vão se passar, você vai superar a pessoa, mas não o que sente por ela. Você jamais supera. O que acontece então? Você se acostuma! Acostuma ao fato de que ela não estará mais ali todos os dias, que vocês não vão mais se divertir como sempre, que ela vai seguir a própria vida e sem você. Se acostuma com a saudade, com a carência dela e, depois de um tempo, também se acostuma com a ideia de que essa pessoa ficará com outras pessoas, ou acabará por namorar uma única por anos. 
Você também se acostuma ao fato de que não será mais o amuleto protetor daquela pessoa, pois ela passará a recorrer a outras pessoas quando precisar de ajuda. Mas você nunca deixará de querer ajuda-la, mesmo assim. 
O fato é que você se acostuma a muitas e muitas coisas, exceto as reações do seu coração quando sonha com ela, quando a encontra sem querer na rua, ou num show. Seu coração sempre reagirá apaixonadamente àquela pessoa, mesmo que não perceba. Mas você saberá lidar com isso, sem esforço algum, pois você se acostumou a estar sem aquela pessoa.
E você nunca esquecerá tudo o que aprendeu ao lado dela, sempre lembrará sorrindo da primeira vez que se viram, dos momentos bons que tiveram. E aprenderá a deixar os momentos ruins totalmente de lado, para assim poder seguir em frente sem mágoas ou ressentimentos, que só fariam mau a você mesmo. 
Segue em frente, mas não na certeza de que tudo será superado, que tudo será esquecido, porque não é assim que a vida funciona. Apenas levante a cabeça, sacuda a poeira e caminhe sem olhar para trás, na certeza de que coisas boas substituirão as coisas ruins que te aconteceram, na certeza de que você vai aprender a ser forte e feliz, sozinho. 

Voa


Sou amante do vento, amante de noite, das águas que correm nos rios e vão ter ao mar. Sou o que a brisa leva, que a água purifica, que a lua ilumina. Nasci para ser livre, para ser pássaro, para colorir o céu.
Sem destino, sem fronteiras. O céu é minha casa, o mundo é infinito para mim. Não há vento ou tempestade que me impeçam de voar. Sou o que tudo enxerga, tudo conhece. Sou quem passa despercebido, que te guia sem saber. Sou tudo o que quero ser.
Meu combustível é o aroma das flores, o cheiro da chuva, o perfume das matas. Não preciso de dinheiro, bens materiais ou qualquer pessoa ao meu lado, só preciso das minhas asas e a vontade de voar. Posso viajar o mundo, posso morar onde quiser, posso observar as coisas mais lindas que existem no planeta.
Eu sou um pássaro. Um pássaro grande branco. Sou filha do sol, sou amante da lua. Sou quem eu quero ser. Eu sou um pássaro.

Desumanidade


O problema é que somos humanos. Não é isso o que sempre dizem? Errei, afinal sou humano. Menti, trai, não consegui; afinal, sou humano. Está certo, é isso ai. Ou quase. O “ser” humano, pelo que conclui, consiste em permitir-se falhar apenas por já ter falhado antes, é covardiar-se diante dos defeitos e deixar-los dominar a si. Humano é ser errado? Ser torto e incorrigível e ao final do dia orgulhar-se de tudo isso? Então que eu seja uma borboleta, que metamorfoseia-se até encantar o mundo com suas cores, até fazer a diferença. Não quero ser errante contentada. Que eu seja um peixinho colorido ou uma frágil formiga, mas que eu saiba exatamente que o que eu sou não define quem eu sou. Que eu saiba que posso ser cada vez melhor. 
   Não quero esperar, a vida inteira, a felicidade chegar até a mim quando posso alcança-la com um pouco de esforço, talvez apenas com uma ponta de pé - que hábito mais estupidamente humano. Não quero ficar sentada em casa, transbordando de orgulho, com um pote de sorvete em uma mão e o celular na outra, esperando ele tocar. Não quero olhar nos olhos de quem um dia amei e ver ali uma brasa viva de decepção. Ah, não! Nessa vida eu quero olhar para trás, algum dia, e ter certeza que fui o menos humana que pude ser.

Livros de auto-ajuda ou Conselhos de 1,99


Diziam que a vida é difícil, e que depois de um tempo a gente fica ranzinza. Diziam que as nuvens não são feitas de algodão. Disseram que a chuva alimenta as plantas mas que se nós ficássemos sob ela ficaríamos doentes. Então guardamos nossas danças para dentro das casas, escondidas de todos, com medo do que pudesse acontecer. Diziam que júpiter era um fracasso, mas por debaixo de tanta coisa sempre pode haver um sol. Não acredite no que te dizem, porque eu sempre achei que envelhecer é se aproximar do início, é voltar a ser criança.
Então se joga na chuva, põe os braços pro alto e sente cada pingo deslizar na pele, porque o que é mais simples traz a melhor felicidade grudada em si. Você é mais uma gota nessa água, mata a sede que te arranha a garganta, veja o que é bonito ao teu redor árido, vá viver! A rua é tua, faça dela teu palco e desligue o som da platéia. Não espere de braços cruzados o frio percorrer tuas espáduas e você perceber que já é o último ato, porque quando a cortina se fechar você vai querer ter dançado valsa e gritado e dito adeus e ter voado sem que houvesse qualquer limite nas nuvens.
Vai querer reunir netos em volta da tua poltrona e contar estórias de vida e lições que eles só vão querer aprender depois de passar pelo mesmo. Porque você sempre soube que a nossa hora um dia chegará, você vai querer ter se envolvido por furacões e ter se deixado rodopiar no amor e tão, mas tão intensamente, porque lago raso nunca dá um bom mergulho. Então se jogue no que é profundo. Não apenas se liberte, mas não deixe a tua mente te prender também.
Eu te levo até a ponta do precipício, assim a gente enxerga nas entranhas a vida, o valor. Aí você percebe que tem dentro de si a coragem de um mundo inteiro, a força de mil toneladas e a humildade de mil lágrimas. Vá iluminar todo mundo com teu brilho, vá aquecer todas as almas com o calor que você guarda no aconchego da tua mente. Porque você é muito mais do que parece ser, muito mais do que uma comédia romântica ou um livro que aperta o peito. Tira a estória decorada dessas tantas linhas que lê e a jogue na tua vivência, só não tem final feliz quem está vivo e não sabe viver.